terça-feira, 7 de novembro de 2017
O teu regaço tem o calor de novembro.
Enche-se de aconchego o teu peito,
dando-se à mão sedenta da doce ternura.
Um dia será a única regra das manhãs
que tanto sonhamos ao entardecer.
A noite adormece-nos no sono
que nos desperta o sentir,
ora brisa da serra suave pelos teus cabelos,
ora rocha segura do teu apoio,
e a tua pele, prenda da minha pele,
o teu corpo, perdição eterna do meu.
E eu e tu, debaixo do céu estrelado,
somos única alma do desejo,
único sentir, uma só ambição.
Não somos feitos de tempo,
como não o são as rochas do monte debaixo de nós.
Somos da mesma poeira das estrelas
que brilham desde sempre a sós.
Amamo-nos a vê-las
e não é o tempo que queremos contar,
mas o tamanho do amor ao despertar.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Vestes-me o sentir dos prazeres
Sopra-te nas mãos uma brisa suave
com que me despes o corpo
e me modela as formas viris como dunas,
onde em vagas de espuma macia
te dás livre ao sabor da maré.
Tatuo o teu nome na areia em forma de paixão.
Feita onda, leva-lo contigo.
Como onda, deixa-lo em nós.
Enrolas-te na minha areia
e fazes de mim
a praia imensa do teu mar sem fim.

Invejo a chuva que cai:
queria ser eu a molhar-te a pele.
Invejo a brisa que vai
(se ao menos fosse eu no seu lugar)
para te ondular os cabelos
na suavidade destes dedos de amar!
Não invejo os olhos que te vêem,
que os meus têm-te se os abro
e sobretudo se os fecho.
Invejo a nuvem que te cobre
e a noite que desce em mim.
Invejo a praia a que te dás, meu mar;
o verde que torna ao jardim
e o sol que se atreve a brilhar!
Desejo-te naquele jeito perfeito
e roubo-te para num momento te fechar
eternamente no meu peito.
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