terça-feira, 7 de novembro de 2017



O teu regaço tem o calor de novembro. 
Enche-se de aconchego o teu peito, 
dando-se à mão sedenta da doce ternura. 
Um dia será a única regra das manhãs 
que tanto sonhamos ao entardecer. 
A noite adormece-nos no sono 
que nos desperta o sentir, 
ora brisa da serra suave pelos teus cabelos, 
ora rocha segura do teu apoio, 
e a tua pele, prenda da minha pele, 
o teu corpo, perdição eterna do meu. 
E eu e tu, debaixo do céu estrelado, 
somos única alma do desejo, 
único sentir, uma só ambição. 
Não somos feitos de tempo, 
como não o são as rochas do monte debaixo de nós. 
Somos da mesma poeira das estrelas 
que brilham desde sempre a sós. 
Amamo-nos a vê-las 
e não é o tempo que queremos contar, 
mas o tamanho do amor ao despertar.

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