domingo, 3 de dezembro de 2017



Não há tempo quando a vontade quer,

nem distância nem esquecimento.

Cada um de nós sabia,

por desígnio dos astros no firmamento,

que em qualquer lugar, um dia,

numa daquelas tardes de momentos incertos,

virias por mim

e eu te reconheceria ao fechar em ti

os meus braços abertos.

- Por onde andaste este tempo todo?

Fecharei as lágrimas

que teimarão em brilhar nos olhos deste rosto,

que serão as tuas mãos a afagar,

e sentirás o tremor do meu corpo

que, em vão, procurarei disfarçar.

Renasceremos no nosso abraço,

nas memórias da doçura do olhar

que te dizia como és linda

e falar-me-ás na linguagem

que as nossas bocas desejavam,

aquela que tem o gosto do calor e da paixão.

Seremos o espelho do tempo, um do outro,

e as minhas mãos,

não mais se sentirão órfãs de ti.

Ainda que ao longe,

saberei sempre que tu estás lá, e em mim,

nesse lugar nos confins do silêncio,

onde os sonhos e o tempo caminham a par.


terça-feira, 7 de novembro de 2017



O teu regaço tem o calor de novembro. 
Enche-se de aconchego o teu peito, 
dando-se à mão sedenta da doce ternura. 
Um dia será a única regra das manhãs 
que tanto sonhamos ao entardecer. 
A noite adormece-nos no sono 
que nos desperta o sentir, 
ora brisa da serra suave pelos teus cabelos, 
ora rocha segura do teu apoio, 
e a tua pele, prenda da minha pele, 
o teu corpo, perdição eterna do meu. 
E eu e tu, debaixo do céu estrelado, 
somos única alma do desejo, 
único sentir, uma só ambição. 
Não somos feitos de tempo, 
como não o são as rochas do monte debaixo de nós. 
Somos da mesma poeira das estrelas 
que brilham desde sempre a sós. 
Amamo-nos a vê-las 
e não é o tempo que queremos contar, 
mas o tamanho do amor ao despertar.



quinta-feira, 2 de novembro de 2017


Neste meu enorme pedaço de paraíso, 
enquanto percebo o mar subindo, 
descai o sol para que se acendam na noite infinitas estrelas. 
E o sonho nasce quando o sol voltar do outro lado 
e me queimares a pele 
com o calor da ponta dos teus dedos, 
com o fogo que te arde na boca.













Vestes-me o sentir dos prazeres 
que trazes à tona da tua pele. 
Sopra-te nas mãos uma brisa suave 
com que me despes o corpo 
e me modela as formas viris como dunas, 
onde em vagas de espuma macia 
te dás livre ao sabor da maré. 
Tatuo o teu nome na areia em forma de paixão. 
Feita onda, leva-lo contigo. 
Como onda, deixa-lo em nós. 
Enrolas-te na minha areia 
e fazes de mim 
a praia imensa do teu mar sem fim.

Invejo a chuva que cai: 
queria ser eu a molhar-te a pele.
Invejo a brisa que vai 
(se ao menos fosse eu no seu lugar) 
para te ondular os cabelos 
na suavidade destes dedos de amar! 
Não invejo os olhos que te vêem, 
que os meus têm-te se os abro 
e sobretudo se os fecho. 
Invejo a nuvem que te cobre 
e a noite que desce em mim. 
Invejo a praia a que te dás, meu mar; 
o verde que torna ao jardim 
e o sol que se atreve a brilhar! 
Desejo-te naquele jeito perfeito 
e roubo-te para num momento te fechar 
eternamente no meu peito.